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sexta-feira, outubro 28, 2005

Ateus, Homens de Religião e Religião de Homens

Esta manhã tive uma surpresa agradável. A Joana sempre apareceu. Aqui vão as ideias dela sobre 'Ateus, Homens de Religião e Religião de Homens'.

Em primeiro lugar gostaria de dizer que a minha intenção não é criticar o que quer que seja sobre religião. Se Deus existe ou não, se uma religião é verdadeira e as outras falsas, se há alguém certo e outros errados, deixo à consideração de cada um e que encontrem respostas para todas estas questões e muitas outras. O que eu gostaria era de pensar um pouco sobre o Homem e o papel que ele assume quanto à religião. Quero apenas pensar em que medida a religião influencia a sua vida e a forma como cada um a vive segundo diferentes filosofias.
Independentemente de tudo o resto, todas as religiões dão-nos um sentido para a vida e transmitem-nos uma mensagem de esperança. Somos apenas simples mortais, no meio desta selva que é a vida, sem sabermos quem somos, de onde vimos e para onde vamos, frágeis e sem respostas para todas as nossas dúvidas e inquietações. A religião reconforta-nos, diz-nos que não estamos sózinhos e que há “Algo” mais poderoso em que podemos confiar, que tudo sabe e olha por nós. Mostra-nos que toda esta vida tem uma razão de ser.
Quando crianças, todas as pessoas são influênciadas de alguma forma a tomarem uma posição quanto à religião, mas é só em adultos que fazem uma escolha consciente: ou se assumem como ateus, ou se tornam verdadeiros seguidores de uma religião, ou podem optar por serem apenas crentes passivos.
Ser um Homem ateu é acreditar apenas no que se pode provar e nunca se deixar iludir por experiências ou assuntos metafísicos. Para ele a religião não tem fundamento e só há verdades na vida e no seu ciclo.
O verdadeiro seguidor é aquele que só acredita e se dedica a uma única religião. Tem por objectivo glorificar uma entidade superior e está de certo modo associado a uma comunidade com príncipios iguais aos seus. Ser um seguidor implica acreditar incondicionalmente e não questionar as leis divinas. Ele constrói toda a sua vida com base na sua doutrina religiosa mesmo que esta implique sacrificios da sua parte. Encontra na sua religião a Verdade sobre a existência humana.
Finalmente há ainda outro grupo que eu designei como crentes passivos. Este é o grupo que eu gostaria mais de focar porque é aquele que, para mim, está mais dirigido à especulação. Tanto o grupo dos ateus como o dos seguidores têm uma posição muito definida quanto à forma como vêm a religião, o que já não acontece com os crentes passivos. Estes são quase impossiveis de definir devido à sua variedade, mas para mim a conveniência une-os.
Na minha opinião, na nossa sociedade há cada vez mais crentes passivos. Considero um crente passivo aquele que acredita em Deus, ou em “Algo” que não tem necessáriamente de ser uma entidade, mas que não se pode incluir numa religião específica porque não a segue incondicionalmente. Alguns querem mesmo assim intitularem-se como os seguidores mas a verdade é que os próprios seguidores não os reconhecem como tal. Quer se pensem religiosos, quer assumam o seu descuido, ou afirmem a sua opção de não serem seguidores activos, a verdade é que nunca poderiam estar associados directamente a uma religião. Há inumeras razões para tomarem essa posição: quer por criticarem a própria religião (podem achar a religião retrógrada), quer por criticarem os “dirigentes” da religião (porque ela é dirigida por Homens que podem fazer uma má interpretação da mensagem), quer simplesmente por não terem tempo para conjugar a sua vida quotidiana com a vida religiosa, quer por assumirem acreditar em “Algo” não muito definido, etc. É costume porém vê-los a participarem activamente, a chegarem-se mais à religiosidade quando se sentem mais vulneráveis e mais desesperados. Na minha opinião, os crentes passivos moldam a religião um pouco à sua imagem e semelhança e não ao contrário como deveria ser. Adaptam-na às suas necessidades e moldam-na consoante a sua conveniência, mesmo que o façam de uma forma inconsciente. Terá sido deste grupo que surgiram algumas das “novas religiões” exactamente pelo facto de não concordarem totalmente com as doutrinas das antigas religiões.
Mas gostaria de focar ainda um ponto muito importante. A religião é uma prática muito saudável mas é preciso ter-se cuidado com certas práticas. Há sempre pessoas que se aproveitam da religião para tirarem dela benefícios a seu favor, e iludirem outros com promessas inúteis. Alguns “homens” com uma filosofia de conveniência muito perversa e manipuladora, utilizam a inocência dos crentes para seu proveito. Quer seja alterando uma mensagem existente, quer seja criando uma mensagem totalmente nova, estes “homens” conseguem persuadir um grupo de seguidores prometendo justiça, cura, uma vida melhor, uma solução para todos os problemas. Normalmente estes seguidores enganados são os mais desesperados, os sem instrução, os sem esperança, ou seja, os mais fáceis de manipular. Exigem dos pobres seguidores elevados sacrificios e normalmente prometem resultados rápidos, que não podem cumprir. Intitulam-se como uma espécie de “mensageiros divinos” e utilizam o desespero e infortúnio das outras pessoas para alimentarem outras causas que nada têm a ver com a religião. Para terminar gostaria de dizer que não considero nenhuma ideologia religiosa errada, desde que esteja dirigida para o aspecto mais positivo da vida, ou se quizerem, para o bem. Quer seja ateu, seguidor ou crente passivo o importante é ser-se feliz, mesmo que isso possa implicar alguns sacrificios. Cada um deve viver de acordo com aquilo em que acredita, mesmo que para outros isso seja dificil de compreender, e desde que não prejudique o bem-estar de todas as pessoas. O fundamental é ter-se tolerância religiosa e aceitar as diferenças de cada um. Não importa a idade, o sexo, a raça, a posição social ou económica, para ver a religião de uma certa forma e é também possível mudarmos a maneira como lidamos com ela. O mais importante é ver o lado mais positivo da religião e o bem que faz a alguns.